ECONOMIA / 13.06.18

Três dias de intervenção e venda de US$ 9,25 bi não tiram dólar de R$ 3,70

VALOR ECONÔMICO

Após três dias de atuação extraordinária do Banco Central (BC) no mercado de câmbio, venda de US$ 9,25 bilhões de contratos de swap e queda de 7%, ante os quase R$ 4 alcançados na quinta-feira passada - quando a instituição anunciou uma nova estratégia de intervenção -, o dólar se mantém no patamar de R$ 3,70.

Na quinta à noite, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, informou que, até a sexta-feira, dia 15, seriam ofertados ao mercado US$ 24,5 bilhões, além das ofertas para rolagem de contratos que estão a caminho do vencimento. Dessa oferta total, portanto, ainda poderão ser vendidos mais US$ 15,25 bilhões entre hoje e sexta-feira. Até ontem à noite não havia, contudo, uma indicação mais segura de que o BC poderá ou conseguirá vender, em média, US$ 5,083 bilhões ao dia. Essa constatação reforçou a expectativa com as próximas decisões que podem vir a ser tomadas pela autoridade monetária.

Os participantes do mercado não ignoram a relevância das reuniões de política monetária promovidas, nesta semana, pelos três maiores bancos centrais do mundo e que podem provocar turbulência no câmbio internacional e, por tabela, no mercado local que anda para lá de arisco. Entretanto, se as decisões sobre juros a serem anunciadas nesta quarta-feira pelo Federal Reserve (BC dos EUA), amanhã pelo Banco Central Europeu (BCE) e, na sexta, pelo Banco do Japão não surpreenderem os investidores globais, o Banco Central do Brasil poderá ficar com os contratos de swap não demandados no mercado local.

Esse pode vir a ser, aliás, o melhor resultado das intervenções extraordinárias anunciadas por Ilan Goldfajn, mas não é suficiente para esclarecer dúvidas levantadas por especialistas nos últimos dois dias. Eles questionam se haverá um novo degrau a ser testado pela taxa de câmbio, no fim desta semana ou início da próxima, caso o BC consiga colocar no mercado a oferta integral de US$ 24,5 bilhoes, mas o dólar continua orbitando R$ 3,70.

Outra questão: se o mercado não mostrar interesse pelo gigantesco lote integral de swaps e o dólar persistir no patamar atual, o Banco Central estará satisfeito e limitará suas atuações à rolagem das carteiras? A quatro meses da eleição presidencial, se o dólar tiver outro repique, estará o BC disposto a promover "leilões de linha" - operação equivalente à venda de dólares das reservas internacionais condicionada à recompra da moeda em data futura?

A possibilidade de realizar esses leilões foi apresentada pelo presidente do BC na quinta-feira passada, ocasião em que também abriu a porta para eventual venda das próprias reservas, que alcançam US$ 380 bilhões. Há dois dias, Ilan Goldfajn afirmou que o estoque de swaps pode até superar os US$ 100 bilhões alcançados em 2015.

Ao citar essas operações alternativas que podem ser usadas para manter a funcionalidade do mercado cambial, mas não só dele, o BC expôs suas "armas" ao mercado que reconhece o poder das intervenções, mas também as consideram previsíveis e arriscadas se ocorrerem em excesso.

Apesar de toda essa ação do BC, especialistas consideram intrigante a resistência da taxa de câmbio em R$ 3,70. Esse equilíbrio observado nos últimos três dias levanta uma suspeita: estaria havendo uma queda de braço entre o BC e uma ala do mercado que ainda não descarta a ideia de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deverá elevar a taxa Selic mais cedo do que pretendia?

Essa pergunta torna-se imprópria não exatamente pela tensão que se viu no câmbio e que pode ser despertada a qualquer momento, ante tantas incertezas com as eleições, mas pela proximidade da reunião do comitê em junho. Semana que vem uma nova Selic poderá ser anunciada. E parte do mercado financeiro vê chance de alta de 0,25 ponto.