ECONOMIA / 12.09.18

Sete emergentes na rota de uma crise cambial; o Brasil não é um deles

VALOR ECONÔMICO

Depois de receber entradas substanciais de capital até 2017, os emergentes estão sob pressão. Investidores reavaliam os riscos da normalização da política monetária dos países desenvolvidos, do protecionismo comercial e a desaceleração econômica da China.

As crises na Argentina e na Turquia levaram a um contágio para outros países do grupo e os agentes têm uma pergunta em mente: qual será o próximo? Para responder à pergunta acima, o Nomura criou um indicador que funciona como um sistema de alerta precoce de crises cambiais, chamado “Dâmocles” – uma alusão à parábola moral da Espada de Dâmocles, que mostra o risco iminente daqueles com grande poder.

No pano de fundo da tensão dos emergentes está a normalização das políticas dos países desenvolvidos após 2008, com o Federal Reserve (Fed) puxando a fila ao elevar os juros desde o fim de 2015. Com o BCE já reduzindo seu programa de compras de ativos, o aperto de liquidez está ganhando força e se tornará mais rigoroso no último trimestre.

Estudo do Nomura aponta que a soma das variações trimestrais (suavizadas) dos ativos totais dos bancos centrais do G4 (Fed, BCE, Banco da Inglaterra e Banco do Japão) e das reservas cambiais dos emergentes se correlaciona estreitamente com o total de entradas brutas de capital nestes últimos, o que permite dizer que fluxos serão mais fracos à frente.

Na estrutura do “Dâmocles”, a instituição compila e analisa indicadores considerados os melhores preditores de crises cambiais numa amostra de 30 países, nos quais ocorreram 54 crises desde 1996. Inclui dados como a cobertura de importação, dívida externa sobre exportações de curto prazo, reservas cambiais sobre dívida externa de curto prazo, além de outros, como influxos brutos não-IED, quadro fiscal, conta corrente e desvio real da taxa de câmbio efetiva.

No cômputo geral, uma pontuação acima de 100 sugere que um país está vulnerável a uma crise cambial nos próximos 12 meses, enquanto uma leitura acima de 150 indica que uma crise pode surgir a qualquer momento. O modelo acertou 67% das crises ocorridas nos últimos 22 anos. Os eleitos Os países com o maior risco de crise são o Sri Lanka, África do Sul, Argentina, Paquistão, Egito, Turquia e Ucrânia (índice acima de 100). O Sri Lanka é o único em risco de erupção de uma crise a qualquer momento (acima de 150).

Destes sete países, Argentina e Turquia estão passando por crises cambiais, sendo que Argentina, Egito, Sri Lanka e Ucrânia recorreram ao FMI, deixando o Paquistão e a África do Sul como destaques de preocupação. Por outro lado, sete países ‒ Brasil, Bulgária, Cazaquistão, Peru, Filipinas, Rússia e Tailândia ‒ têm pontuações zero. Especificamente no caso do Brasila pontuação zero implica uma vulnerabilidade externa muito baixa, mas é bom lembrar que o real se desvalorizou quase 10% em relação ao dólar apenas em agosto, devido a uma perspectiva incerta das eleições presidenciais ‒ consideradas “fator-chave” para determinar as condições do país neste momento.