ECONOMIA / 06.12.18

Reformas podem fazer país crescer acima de 2,4% em 2019, afirma Ilan

VALOR ECONÔMICO

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse que o país pode crescer em 2019 acima dos 2,4% projetados pela autoridade monetária caso haja avanços nas reformas. Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Ilan reiterou que considera as reformas fiscais prioritárias, mas disse entender que há espaço também para avanços, em paralelo, de outras medidas que podem alavancar a produtividade da economia, com destaque para a reforma tributária.

Para Ilan, a baixa taxa de investimento e o fato de empresas, consumidores e governo estarem passando por processo de "desalavancagem", após terem se endividado muito, explicam o fato de a recuperação estar acontecendo em ritmo tão gradual. "Uma vez equacionada a questão fiscal e trabalhada a questão da produtividade, a reforma tributária e outras medidas de produtividade vão fazer com que o investimento volte. E o investimento voltando ele vai se juntar a um aumento de consumo, e isso deve levar a um crescimento maior", afirmou.

"Existe a chance de o crescimento ser acima de 2,4%, 2,5%." Ilan disse ter "todo respeito e admiração" pelo novo governo e que os sinais emitidos pela equipe do presidente eleito, Jair Bolsonaro, vão "na direção correta". Mas afirmou que sua opção foi por voltar "às origens" no setor privado, atendendo a razões pessoais.

A fala foi uma resposta a um questionamento do senador Garibaldi Alves Filho (MDB-RN), que avisou que faria pergunta "impertinente", pois sabia que o grupo de Bolsonaro havia oferecido ao presidente do BC a possibilidade de permanecer. Segundo Ilan, ele deixará o governo em fevereiro ou março, a depender da data de aprovação pelo Senado de seu sucessor, o economista Roberto Campos Neto.

A princípio, toda a diretoria também permanecerá durante esse período, disse Ilan. Ele acrescentou que, com a aprovação do projeto de independência do Banco Central, que tramita no Congresso e estabelece mandatos fixos para o presidente e diretores, "talvez essa questão de sair por razões pessoais não se colocasse".

Mas Ilan frisou que sempre atuou a favor do projeto da independência tendo em mente que as regras valeriam para a próxima diretoria da autarquia. Ao comentar o cenário externo, Ilan afirmou que a taxa de juros nos Estados Unidos vai subir, o que implica um fluxo menor de capitais para os países emergentes.

 A questão, segundo ele, é que isso acontece em um momento de disputas comerciais entre os EUA e a China. "Se a China desacelerar, não é bom para o mundo e não é bom para o Brasil", afirmou Ilan. Ele disse discordar de argumentos de que a disputa poderia ser vantajosa para o Brasil na medida em que geraria um aumento da demanda por soja brasileira.