INFRAESTRUTURA / 05.12.17

Quatro grupos se articulam para disputar gasoduto TAG

VALOR ECONÔMICO

Cerca de uma semana antes da entrega das propostas não vinculantes para a aquisição do gasoduto Transportadora Associada de Gás (TAG), controlado pela Petrobras, ao menos quatro consórcios se articulam para disputar o ativo, segundo o Valor apurou. Esses grupos devem ser liderados por Mubadala, Engie, Pátria Investimentos e Macquarie. Cada um desses líderes tem mantido conversas com outras empresas e investidores, já que o valor a ser pago pelo gasoduto é alto demais para ser financiado individualmente.

No ano passado, a Petrobras vendeu o gasoduto Nova Transportadora do Sudeste (NTS), que também pertencia à TAG, para a Brookfield por US$ 5,08 bilhões. Agora a Petrobras colocou à venda 90% da Nova Transportadora do Nordeste (NTN), que faz o transporte e a armazenagem de gás natural nas regiões Norte e Nordeste do país, com 3 mil km de extensão.

A expectativa é que essa alienação, bastante importante para o programa de desinvestimentos da Petrobras, pelo menos atinja a cifra da NTS. A estatal conta com essa venda para cumprir a meta de desinvestimento de US$ 21 bilhões para o biênio 2017-2018. O IPO da BR Distribuidora, a ser concluído na semana que vem, também é uma peça importante desse plano.

A avaliação de potenciais compradores é que a NTN ofereça um retorno menor do que a NTS, mas ainda elevado. "Muitos investidores que ficaram de fora da disputa por NTN se surpreenderam com o retorno que a Brookfield está obtendo e agora devem entrar", diz uma pessoa próxima à Petrobras.

Outra fonte diz que neste primeiro momento a NTN está dando um retorno ainda maior que o esperado porque os investimentos estão abaixo do previsto na modelagem. Entre as parcerias consideradas como prováveis é a do Mubadala, empresa de investimentos de Abu Dhabi, com a EIG Global Energy Partners. Ambos já são sócios na Prumo, antiga LLX, criada por Eike Batista. Outro consórcio pode se formar entre o Pátria e a gestora americana de fundos de private equity Blackstone.

Ambos já são sócios desde 2010, quando a Blackstone comprou 40% da firma brasileira. O Pátria ainda pode chamar para participar do consórcio investidores de seus fundos. Neste caso, eles coinvestiriam com a gestora brasileira.

Um pré-requisito do Pátria, porém, é que ele fique à frente do comando do investimento a ser feito. Já com experiência na atividade de gasodutos, a australiana Macquaire, que tem US$ 370 bilhões sob gestão e é uma das maiores operadoras de gás natural dos Estados Unidos, deve liderar um dos consórcios e atrair parceiros.

Procurada, a geradora de energia Engie afirmou que "tem interesse na cadeia de valor do gás natural no Brasil e observa, com atenção, todas as oportunidades nesse segmento de mercado, inclusive a mencionada [TAG]".

Entre os investidores que devem se unir a um desses quatro consórcios estão a Itaúsa e a Cambuhy, gestora de recursos que tem como um de seus sócios o banqueiro Pedro Moreira Salles. A Itaúsa, holding de investimento das famílias Setubal e Villela, ligadas ao Itaú Unibanco, já investiu no NTS no ano passado, junto com a Brookfield, e tem sido assediada pelos consórcios. O mesmo acontece com a Cambuhy, que tem entre seus investimentos a Eneva, produtora de gás.

Até agora, porém, não está claro a quem ambos podem se unir. A Brookfield não deve entrar na disputa desta vez como líder de consórcio, embora ainda exista uma chance de participação minoritária, segundo uma fonte. O processo de venda do gasoduto é coordenado pelo banco Santander.

As propostas devem ser entregues na semana que vem, depois de a Petrobras adiar o cronograma inicial da venda em cerca de duas semanas. Mubadala, Pátria, Itaúsa, Cambuhy e Macquire informaram que não comentariam o assunto. A Petrobras e a Brookfield não se manifestaram sobre o pedido de informações até o fechamento desta reportagem.

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