ECONOMIA / 06.12.17

Presidente da FIERN diz que expectativa é de um 2018 melhor

TRIBUNA DO NORTE

A palavra de ordem para o empresariado do setor industrial nacional para o ano de 2018 é: otimismo. Mesmo não cravando um 2017 como “bom”, o presidente da Federação da Indústria do Rio Grande do Norte (Fiern), Amaro Sales, afirma que o ano que termina neste mês certamente foi melhor do que os dois últimos. Mas a expectativa é a de que 2018 será ainda mais positivo. Apesar de ainda não ter tido um ano pleno de recuperação, a Indústria espera que quedas na inflação, juros e taxa Selic tragam de volta o caminho promissor que o setor já vislumbrou no passado recente. Aliado a isso, a implantação da recém-criada reforma trabalhista, ou “modernização da legislação trabalhista”, como Sales prefere chamar, é e será o motor que faltava para o desenvolvimento industrial estadual e nacional, afirma o empresário. A reforma é tema da 33ª edição do Seminário Motores do Desenvolvimento que ocorre no dia 11 de dezembro. À TRIBUNA DO NORTE, Amaro Sales falou ainda sobre o projeto “Mais RN”; o intercâmbio que vem sendo reforçado com a Alemanha; e outros assuntos ligados à Indústria potiguar.Confira a entrevista:

Amaro Sales espera que quedas na inflação, juros e taxa Selic tragam resultados otimistas para o setor. Foto: Alex Regis

Qual o balanço que o senhor faz para o setor industrial em 2017?
No contexto geral, a gente tem um ano, que comparado com os últimos quatro anos de muitas dificuldades foi um pouco melhor. Temos uma situação política onde o Brasil, nesse período, sai de um governo eleito legitimamente para um impeachment, onde assume um novo governo com expectativas diferentes, modelo político e de gestão diferentes. Isso trouxe uma transformação para o Brasil e vem transformando o país. O Brasil vinha de uma recessão, chegando ao ápice no Governo Dilma com inflação alta, juros lá em cima, a expectativa de negócio baixa e o índice de confiança muito baixo também. Diante da mudança de governo esperava-se que o Brasil entrasse na fase das reformas e é isso que vem acontecendo. Podemos dizer que 2017 foi melhor que 2015 e um pouco melhor que 2016.

E o Rio Grande do Norte nesse cenário de crise?
Para o Rio Grande do Norte foi terrível porque os estados menores vivem de repasse do governo federal. Como havia uma queda de arrecadação, uma inflação alta, juros altos, taxa Selic alta, tudo isso conspirava contra os estados pequenos como o nosso. Nosso estado vem na gestão atual do governador Robinson Faria amargando as ações de governos passados.

Qual a expectativa para 2018?
A indústria, nesses últimos três anos, ficou na expectativa. Nesse período tivemos uma queda no Produto Interno Bruto (PIB), nenhum crescimento, e hoje quando vemos o crescimento de 0,1% que seja do setor é uma comemoração enorme, parece até que ganhamos a Copa do Mundo. Mas que na realidade é que a gente vinha com números negativos e qualquer resultado positivo nos anima. Quando você tem uma quadro ruim e chega qualquer notícia mais animadora, a expectativa dos empresários da indústria nacional ou local é de otimismo. Esperamos que em 2018 tenhamos mudanças e elas atinjam o parque industrial brasileiro. Para se ter uma ideia temos uma Selic que pode mudar para 7 pontos percentuais, a menor da medição da Selic no Brasil. É uma notícia boa? É, mas precisa chegar a quem produz: na indústria, no comércio, à população. Mas posso dizer que baseado no cenário dos últimos dois anos a expectativa é de otimismo em um ano de 2018 bem melhor do que foi 2017, 2016 e 2015.

Mas a que se deve essa confiança?
Às previsões de inflação baixa, juros baixos, Selic baixa [previstos para 2018] trazem confiança ao empresário, esmo sendo um ano eleitoral como o ano que vem, onde o país inteiro tem a expectativa de um novo governo, uma nova gestão, menos tumultuada como a gestão Temer. Também temos as reformas, mais especificamente a modernização trabalhista, que gera a confiança de dias melhores para os empresários, porque tínhamos uma legislação de 1943 e que, sem dúvida, precisava ser reformada. Destaco as negociações plenas entre trabalhador e empregador, negociações que terão uma validade e expectativa de novos negócios onde gera o sentimento de se poder oferecer mais emprego com menos preocupação em relação a um passivo que o empresário possa estar assumindo.

O que o senhor pode falar sobre o projeto Mais RN?
O projeto, criado em 2014, será atualizado em 2018 para que possamos reforçar o projeto de desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Esse não é um programa de governo, é um projeto de desenvolvimento que ataca todas as cadeias produtivas do estado, mapeando oportunidades, uma ferramenta para o bem do estado. Foi feito todo o mapeamento do RN, selecionadas as oportunidades de negócio, gerando em torno de 400 projetos no estado para o desenvolvimento em todos os setores: educação, saúde, economia, infraestrutura. Ele basicamente indica os gargalos nos programas do RN e o que precisa ser feito.

Nesta última segunda-feira o senhor se encontrou com o embaixador alemão (Georg Witschel). O que o senhor pode falar dessa relação entre RN e Alemanha?
Desde 2011 a Fiern vem trabalhando em parceria com a Alemanha. Temos a participação na área de energia, na área de sustentabilidade, também temos um projeto de troca de informações com o Instituto Fraunhofer [voltado para a área de engenharia], temos uma parceria em que a Alemanha trouxe um dessalinizador movido a energia solar para os pequenos produtores. Temos também um intercâmbio de jovens empresários passando um período naquele país; assim como o projeto da Casa Passiva, construída com a metodologia de sustentabilidade [destinada à área de construção civil e marcenaria, além de ensino médio escolar]. Ela está sendo construída no Centro de Tecnologia da Zona Norte e será inaugurada neste mês, com capacidade de mil matrículas em três turnos. Também temos a novidade que em 2019 o RN vai sediar o Encontro Brasil e Alemanha (EBA), que já tem 35 edições. Nele, todo o setor empresarial de Brasil e Alemanha se reúne e troca informações com a possibilidade de negócios serem realizados. Precisamos ser parceiros de um país rico e industrializado como a Alemanha.

O senhor é presidente da Associação Nordeste Forte. Há algum planejamento para o próximo ano?
Hoje sou presidente da Associação das Federações de Indústria do Nordeste, a Nordeste Forte, formada por empresários dos nove estados nordestinos. Temos um desafio para 2018 de formatar um plano de desenvolvimento e defesa do Nordeste. O Nordeste precisa de alguém planejando por ele. Cada governador vai lá em Brasília, manda sua mensagem e faz seu pedido, mas não tem uma instituição ainda em defesa das resoluções dos problemas do Nordeste. Criada no ano passado, a gente vem se preparando para fazer o planejamento e o plano de desenvolvimento no próximo ano, onde possamos demonstrar e executar o potencial que a região tem.

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