ECONOMIA / 23.11.17

Planejamento vê 'substantiva melhora' em componentes da demanda interna

VALOR ECONÔMICO

Os componentes da demanda interna do Produto Interno Bruto (PIB) estão apresentando "substantiva melhora" nos últimos meses e confirmando o quadro de "sólida recuperação" da atividade econômica brasileira. A conclusão é de nota técnica elaborada pela Secretaria de Planejamento e Assuntos Econômicos (Seplan) do Ministério do Planejamento, obtida pelo Valor.

O relatório faz um levantamento dos mais recentes indicadores econômicos relativos ao terceiro trimestre, que confirmariam o quadro de disseminação e intensificação do crescimento do país. "A atividade econômica brasileira apresentou resultados positivos no terceiro trimestre de 2017, confirmando a retomada da economia e consolidando as bases para o crescimento mais vigoroso e sustentável à frente", diz o texto da secretaria.

"Parte dessa recuperação reflete a implementação de várias ações do governo que buscam estabilizar e melhorar o ambiente econômico, inclusive com reformas estruturais que têm permitido a redução consistente das taxas de juros e favorecido a retomada dos investimentos produtivos, assim como do consumo pelas famílias", afirma.

O documento considera que as medidas adotadas, como o teto de gastos públicos, "ancoraram as expectativas de sustentabilidade das contas públicas, possibilitaram a estabilização econômica e criaram espaço para a queda da inflação e da taxa de juros". Entre os indicadores destacados no material estão as vendas do comércio varejista, que em seu conceito ampliado (com automóveis e material de construção) subiram 2,3% no terceiro trimestre.

"Verifica-se que esta melhora do consumo é ampla", ressalta o texto. O desempenho da indústria também foi destacado, tendo alta pelo terceiro trimestre seguido e subindo 0,9% nos últimos três meses ante o período imediatamente anterior. "Cabe destacar que o investimento, medido pela série de FBCF [formação bruta de capital fixo] do Ipea [Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada], voltou a registrar expansão, com 1,4% no terceiro trimestre ante o trimestre anterior (com ajuste sazonal).

Desde igual trimestre de 2013, a série não registrava variação positiva trimestral, com exceção do segundo trimestre de 2016, em que se observou 0,4%", diz o documento. O comportamento do crédito também é visto de maneira positiva, com avanço de 2,8% nas operações com pessoa jurídica no terceiro trimestre, quebrando uma sequência negativa trimestral que vinha desde o último trimestre de 2013, segundo o levantamento.

"O crédito à pessoa física também manteve o crescimento pelo quarto trimestre consecutivo com +0,8%. Este resultado acompanha a melhora generalizada das condições do crédito livre, em especial com a redução dos spreads e taxas de juros das operações, assim como da queda da inadimplência dos tomadores", ressalta o texto.

O desempenho do mercado de trabalho, combinado com a queda da inflação, foi apontado como elemento de melhora no poder de compra das famílias. Além disso, a nota técnica ressalta que no terceiro trimestre houve melhora nos indicadores de confiança "O índice dos setores de serviços comércio indústria e construção civil cresceram em relação aos primeiros meses do ano, confirmando a tendência de recuperação gradual dessas atividades, o que vem ocorrendo desde meados do ano passado", ressalta a Seplan.

O Ministério do Planejamento destaca a alta de 0,6% no IBC-Br (indicador de atividade do Banco Central usado como uma prévia do PIB) ante o segundo trimestre. "Nesse contexto, espera-se que os dados do PIB do terceiro trimestre de 2017, a serem divulgados em 1º de dezembro pelo IBGE, confirmem que a economia mantêm-se em sólida recuperação, com os componentes da demanda interna apresentando substantiva melhora."

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