ECONOMIA / 27.04.18

Para BC, agropecuária vai puxar economia do Nordeste

VALOR ECONÔMICO

A agropecuária deve ser um diferencial positivo na economia do Nordeste este ano e pode aproximar o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) da região ao do resto do país, disse chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, ontem, no Recife. "Os prognósticos de safra são positivos, enquanto que para demais regiões a previsão é de retração da produção", afirmou.

"Isso vai contribuir para a retomada nordestina, mas a precisão em termos de intensidade é difícil de ter. Prefiro não arriscar." Os principais produtos agropecuários do Nordeste são os grãos, produzidos principalmente nos Estados de Maranhão, Bahia e Piauí, e a cana-de-açúcar, nos Estados de Pernambuco e Alagoas.

Segundo Maciel, em 2017 houve um dinamismo menor no processo de retomada do Nordeste - apesar da contribuição positiva da agricultura nacionalmente - e isso se manteve no início doe ano. "Outras regiões já mostraram saldo positivos de vagas no início do ano [primeiro trimestre], o Nordeste ainda não", afirmou.

O ritmo de recuperação da economia tem sido diferente entre as regiões do país, de acordo com relatório divulgado ontem pelo BC. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central - Brasil (IBC-Br) cresceu 1% no trimestre móvel encerrado em fevereiro, em relação ao período de três meses encerrado em novembro.

Na mesma comparação, houve alta de 2,1% na atividade econômica e um recuo de 0,5% no Norte, devido a resultados adversos na construção civil e indústria de transformação. No Nordeste, houve alta de 0,3%, refletindo oscilação de resultados setoriais. No Sul, houve aumento de 0,5%, revelando um quadro um pouco mais disseminado de recuperação entre os setores. No Sudeste, a queda de 0,1% "sugere acomodação", de acordo com o BC.

Maciel evitou fazer previsões mais precisas para cada região. No entanto, disse que há uma tendência de que a região Norte se mantenha crescendo acima da média nacional. Segundo Maciel, dois fatores beneficiam o Norte: o crescimento mundial, que aumenta a demanda por minério no Estado do Pará, e a melhora da demanda interna, que alavanca a indústria da Zona Franca de Manaus.

"A médio e longo prazos, o que costumamos observar é que a expansão seja mais acelerada em regiões menos desenvolvidas. Isso é um fato econômico no longo prazo, as oportunidades de investimento são mais evidentes", disse Maciel.