INDÚSTRIA / 05.03.18

País sobe em ranking de expansão da indústria, mas fica abaixo da média

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Apesar de ter interrompido uma sequência de três anos no campo negativo, o crescimento de 2,9% da produção da indústria brasileira em 2017 foi inferior ao observado na média de outros países emergentes e desenvolvidos, de acordo com levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), obtido com exclusividade pelo Valor.

Num ano de crescimento das economias pelo mundo, a produção industrial global apresentou expansão de 3,5% em 2017, frente ao ano anterior, feita a mediana dos 48 países pesquisados pelo Iedi. As nações em desenvolvimento tiveram avanço de 3,9%. As economias avançadas produziram 3,1% a mais.

O trabalho mostra que o Brasil até melhorou sua posição no ranking. Em 2016, a retração de 6,7% da produção da indústria colocou o país na vice-lanterna, à frente somente da Islândia (-9%). Em 2017, o país aparece em 30º lugar, posicionado entre Espanha (3%) e França (2,3%). Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi, reforça que o crescimento de 2,9% da produção brasileira (dado dessazonalizado para acompanhar a metodologia de outros países) foi positivo ao interromper três anos de queda do setor, mas precisa ser relativizado por causa da baixa base de comparação de 2016 e também de uma certa concentração do resultado no setor automotivo.

"Metade do crescimento veio do setor de automóveis. O setor provavelmente também foi responsável pela alta da produção de outras atividades da indústria, que fornecem componentes, como eletrônicos, plásticos e borracha, tecidos e metalurgia", disse Cagnin, acrescentando que o setor foi em boa medida impulsionado pelas exportações.

Cagnin chamou a atenção ao fato de o crescimento da produção brasileira ter ficado à frente dos Estados Unidos (2%) e da Coreia do Sul (0,7%), assim como de emergentes como México (-0,3%), África do Sul (-0,4%) e Rússia (0,8%). "Nosso desempenho é modesto. Mas, apesar de estarmos na parcela menos dinâmica, não estamos sozinhos".

O ranking produzido pelo Iedi foi liderado por países do Leste Europeu, com destaques para Romênia (9,2%), Letônia (8,5%), Eslovênia (8%) e Estônia (7,7%). São países que tiveram melhor desempenho econômico em uma década por uma forte demanda da zona do euro e o recebimento de recursos de fundos de desenvolvimento. Já a produção na China cresceu 6,6%.

Os analistas consultados pelo boletim Focus, do Banco Central (BC), estimam que a produção industrial brasileira vai crescer 3,76% neste ano e mais 3,35% no ano que vem. O risco desse cenário, segundo Cagnin, está atualmente nas eleições presidenciais, que pode provocar instabilidade nas cotações de câmbio e juro nos mercados financeiros.