ECONOMIA / 10.10.18

Moody's e S&P mantêm cautela com país

VALOR ECONÔMICO

A euforia que se espalhou pelos mercados não chegou a contagiar as agências de classificação de risco de crédito. Moody's e S&P mostraram cautela nos comentários após o primeiro turno das eleições brasileiras e preferiram ressaltar as incertezas que ainda pairam sobre o cenário de aprovação das reformas após a definição do novo governo. Os resultados do primeiro turno das eleições "sinalizam uma polarização política, criando desafios extras para a próxima administração", afirmou a vice-presidente e analista sênior da Moody's para o Brasil, Samar Maziad.

Já a S&P destacou que "a incerteza ainda prevalece em relação ao resultado da eleição e sobre a habilidade do próximo governo em aprovar reformas cruciais". A analista da Moody's enfatizou a importância da relação do novo governo com o Congresso como fator de mitigação de riscos. "Independentemente de quem vença, o novo presidente terá que formar alianças no Congresso que permitam a aprovação de reformas fiscais - especialmente a da Previdência - para que se encaminhe uma fragilidade fundamental no perfil de crédito do Brasil", disse Samar.

"A polarização acrescenta um prêmio relacionado à capacidade do novo presidente de estabelecer uma boa relação com os legisladores para aprovar reformas, o que vemos como necessário para a manutenção da confiança do investidor, preservação da estabilidade financeira e criação das bases para um crescimento sustentado", considerou a analista.

A S&P havia reduzido as expectativas de expansão do PIB brasileiro antes do primeiro turno, de 1,8% para 1,4% neste ano e de 2,4% para 2,2% em 2019, e reiterou a visão de uma economia com menor ímpeto, apesar da reação dos mercados no dia seguinte à primeira fase da eleição no país.

Conforme a agência, "o cenário externo mais desafiador alimenta mais preocupações sobre como o resultado da corrida presidencial pode afetar as iniciativas de consolidação fisal, como a reforma da Previdência".

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