ECONOMIA / 10.10.18

IPCA vai fechar o ano mais perto da meta de inflação, aponta Focus

VALOR ECONÔMICO

Os economistas elevaram de 4,30% para 4,40% a previsão para a inflação deste ano, segundo a mediana das projeções da pesquisa Focus, do Banco Central, realizada na semana passada e divulgada ontem. A estimativa se aproxima da meta da inflação para este ano, de 4,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Para o ano que vem, o ponto-médio das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) manteve-se em 4,20%.

A meta de inflação é 4,25% para 2019 e 4% para 2020. Para 2021 a meta é de 3,75%. O intervalo de tolerância também é de 1,5 ponto percentual. Movimento similar ocorreu entre os economistas que mais acertam as previsões, os chamados Top 5, de médio prazo: a mediana para a inflação de 2018 subiu de 4,43% para 4,46% e manteve-se em 4,22% para 2019.

Na semana passada, o IBGE mostrou que, em 12 meses, o IPCA se acelerou para 4,53% em setembro, atingindo o centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O indicador fechou setembro com inflação de 0,48%, após a deflação de 0,09% em agosto. Foi o maior índice para o mês desde 2015 (0,54%).

O resultado ficou ainda acima da projeção média de 0,41% para o mês feita por 21 consultorias e instituições financeiras consultadas pelo Valor Data. No caso da Selic (taxa básica de juros), as previsões não sofreram mudanças: 6,5% no fim deste ano (pela 20ª semana consecutiva) e 8% no próximo, patamar em que já está há 39 semanas. Entre os Top 5 de médio prazo, o ponto-médio para a Selic no encerramento de 2018 ficou em 6,50% pela 21ª semana seguida e subiu dos 7,63% das últimas quatro semanas para 7,88% em 2019.

O BC destacou, na ata referente ao mais recente encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) a piora no balanço de riscos e reforçou a indicação de um possível aperto nos juros - a Selic foi mantida pela quarta vez seguida em 6,5% na reunião deste mês. O documento mostra que o BC avaliou que os riscos para a trajetória da inflação se inclinam para o lado negativo e ressaltou a importância de ter flexibilidade para subir os juros gradualmente "quando e se houver necessidade".

Já a mediana das projeções do mercado para o crescimento da economia em 2018 voltou a mostrar recuo, agora de 1,35% para 1,34%. As estimativas para a economia brasileira neste ano estão em trajetória quase ininterrupta de queda desde o fim de fevereiro, quando a mediana do mercado atingiu um auge de 2,92%. Para 2019, o ponto-médio das estimativas manteve-se pela 15ª semana consecutiva em 2,50%. O BC, no Relatório de Inflação do terceiro trimestre, reduziu a projeção de avanço do PIB deste ano de 1,6% para 1,4%. Para 2019, ele estima alta de 2,4%.