ECONOMIA / 20.04.18

Ilan tenta minimizar risco de guerra comercial

VALOR ECONÔMICO

O risco de uma guerra comercial entre EUA e China e, eventualmente, um cenário de disseminação do protecionismo global foi minimizado pelo presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn. O comandante da autoridade monetária brasileira comentou sobre os riscos e efeitos de um embate no comércio mundial durante entrevista à “Bloomberg TV”, em Washington, onde participa do encontro de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI).

“Não estamos em guerra comercial e sim em uma fase de negociações. Há grande crença de que, no fim do dia, as negociações vão ter sucesso”, afirmou. Sobre a possibilidade de o comércio entre Brasil e China ser fortalecido, se o embate de tarifas entre americanos e chineses ganhar escala, Ilan ponderou apenas que “nosso comércio já está forte com a China, que é nosso primeiro mercado internacional”.

O presidente do BC ressaltou que a recuperação econômica está disseminada pelo mundo. Segundo Ilan, até mesmo o Japão, que durante décadas permaneceu com a economia estacionada, já apresenta sinais de avanço na atividade. Sobre os atuais riscos para o cenário global, Ilan ponderou haver uma comunicação boa sobre a normalização da política monetária em países centrais.

No entanto, na hipótese de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ser obrigado a acelerar o ritmo do aperto, Ilan enxerga um momento de turbulências. “Teríamos menos fluxo de capital, prêmios de risco maiores, reversão de fluxo no caso dos emergente e volatilidade”, avaliou. “E precisamos estar preparados para este cenário”, afirmou, em referência ao Brasil.

Inflação

Ilan afirmou que a autoridade não tem encontrado dificuldade em fazer a inflação subir em direção à meta. Ele disse que a inflação baixa é um bom problema e que o Brasil trabalhou duro para ter uma inflação de país desenvolvido. “Com a inflação abaixo da meta temos espaço para estimular a economia”, comentou.

Questionado sobre possíveis impactos da variação cambial, Ilan disse que não há nada de especial e que esse é apenas um dos fatores que influencia a inflação. Ele disse que ainda há capacidade ociosa na economia e citou a forte queda na inflação de alimentos. O presidente do BC explicou ainda que o efeito inercial ajuda a manter as pressões sobre preços baixas.

Mesmo assim, Ilan disse que se houver uma surpresa no cenário internacional, como a possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) normalizar sua política monetária mais rápido do que o esperado, o BC está pronto para agir. Segundo ele, nesse cenário poderia haver uma reversão nos fluxos de capital, com aversão a ativos mais voláteis e aumento dos prêmios de risco.

“O Brasil tem colchões de proteção, temos grande reservas internacionais. [Se preciso] vamos oferecer tranquilidade aos mercados”, comentou, acrescentando que o BC reduziu o estoque de swaps cambiais e pode usar instrumentos para intervir no câmbio em momentos de volatilidade.

Ele comentou ainda que o Brasil tem apresentado uma recuperação gradual, com previsão de crescer entre 2,5% e 3% este ano. Segundo ele, há riscos simétricos de alta e de baixa para a economia, mas o país precisa continuar no caminho de reformas, incluindo a da Previdência, que foi adiada para depois das eleições. Ilan também comentou que o BC tem independência “de fato”, mas que o governo deve enviar em breve para o Congresso um projeto de lei transformando isso em uma independência “de direito”, mas é preciso esperar para ver como será a votação.