ECONOMIA / 16.04.18

Há espaço para estimular mais a economia brasileira, aponta Ilan

VALOR ECONÔMICO

O Banco Central (BC) vê espaço para estimular mais a economia com um corte adicional na taxa básica de juro, afirmou o presidente da entidade, Ilan Goldfajn, em evento da Coalizão Saúde, em São Paulo. “Temos espaço para um estímulo adicional à economia reduzindo os juros”, disse. Ilan confirmou novamente a sinalização para uma redução extra na Selic na reunião do próximo mês do Comitê de Política Monetária (Copom).

O presidente do BC reforçou a mensagem de que a economia mantém um crescimento consistente e a inflação caminha para a meta. O dirigente do BC recordou que, nos últimos dois anos, o Brasil conseguiu três importantes mudanças macroeconômicas: inflação baixa, juros na mínima histórica sustentados pela queda dos preços e uma recuperação econômica consolidada.

Ancorar as expectativas foi fundamental para baixar a inflação, disse. Hoje, apontou Ilan, a expectativa de alguns analistas aponta para uma inflação de 3,6% a 4% no fim de 2018. De acordo com ele, a baixa pressão sobre os preços permitiu que a autoridade levasse a Selic para o menor patamar da história, a 6,5%. “Se a gente conseguir manter isso, o impacto na economia será muito substancial.”

A inflação mais baixa também gerou um ganho na renda média dos trabalhadores. Segundo o presidente do BC, os salários e os empregos vão manter uma recuperação gradual, na medida que o crescimento avance. “Essa sensação de recuperação começou a ser sentida no segundo semestre de 2017, puxada pela safra, pelo setor agrícola”, ponderou. Mas a partir deste ano passou a se disseminar para outros setores. Conforme Ilan, a expectativa de analistas aponta para um crescimento econômico de 2,8% em 2018 e de 3% para 2019.

Conforme a economia consolide sua recuperação, Ilan afirmou que o financiamento corporativo vai voltar. “Ao longo dos próximos meses e anos vamos ver o crédito voltando”, disse. Ele ponderou que uma das razões para o crédito às empresas não ter retornado foi a substituição do financiamento bancário pela captação de recursos no mercado de capitais pelas empresas de maior porte. As companhias com tamanho e acesso ao mercado de capitais aproveitaram as condições favoráveis para se financiar por meio de emissão de títulos de dívida ou ações no Brasil e no exterior, notou.

“Empresas com capacidade de ir ao mercado de capitais tiveram uma emissão muito maior no ano passado.” “Às vezes o que interessa são os juros com os quais as empresas conseguem captar e, pela primeira vez em muito tempo, o custo médio de debêntures ficou menor do que o dos empréstimos do BNDES”, acrescentou o dirigente da autoridade monetária.