ECONOMIA / 08.10.18

Fundos de private suspendem captação no exterior até fim das eleições

VALOR ECONÔMICO

Ao menos três gestoras de private equity adiaram o encerramento (“closing”, no jargão em inglês do mercado) de parte da captação internacional de novos fundos até o fim das eleições e a definição de perspectivas econômicas para o país conforme o governo eleito.

O Valor apurou que Pátria, Kinea e Vinci fizeram alterações em suas estratégias de captação a pedido de investidores estrangeiros. “Estávamos passando a maior parte do tempo nas reuniões com investidores respondendo questões políticas e não sobre teses de investimento”, afirma o diretor de uma grande gestora. A previsão era que o Pátria anunciasse o encerramento de captação em julho, o que não aconteceu.

“A maior parte do dinheiro já foi levantado, mas há cerca de 20% atrelado a essa definição eleitoral”, afirma uma fonte com conhecimento do assunto. Conforme uma fonte, a gestora Kinea levantou R$ 1,5 bilhão com investidores nacionais e fez o primeiro closing do fundo. A parte internacional de captação, no entanto, ficou para o início de 2019. Esse montante deve responder por cerca de 20% a 25% do novo fundo, apurou o Valor.

Já no caso da gestora Vinci Partners, o primeiro closing foi feito e a gestora já começou a investir o capital. O que teve ajuste, conforme duas fontes, foi o segundo closing. “Estava previsto para início de dezembro, mas é mais provável que ocorra no primeiro trimestre de 2019”, diz uma das fontes. “Para boa parte dos investidores, o que importa não é especificamente o resultado das urnas, mas sim a perspectiva de continuidade de reformas ou não”, diz um gestor.