ECONOMIA / 09.10.18

FMI volta a reduzir previsão para PIB do país

VALOR ECONÔMICO

A previsão de crescimento da economia brasileira para este ano foi reduzida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para 1,4%. Ela estava prevista em 1,8%, em julho passado. Também houve diminuição na perspectiva de crescimento da economia brasileira para 2019 - de 2,5%, em julho, para 2,4%, agora. Apesar dessas reduções, o Fundo destacou que o Brasil está crescendo mais do que em 2017, quando ficou em apenas 1%. Isso foi "impulsionado pela recuperação da demanda privada à medida que o hiato do produto se fecha gradualmente".

Mesmo com essa visão positiva em relação ao ano passado, a perspectiva de crescimento do Brasil vem sendo reduzida no FMI desde abril. Naquele mês, a estimativa chegou a 2,3% para este ano. O organismo apontou que isso ocorreu inicialmente pela greve dos caminhoneiros, em maio, e por condições financeiras externas mais apertadas, "que são uma fonte de riscos para as perspectivas". O Fundo afirmou ainda que o desemprego está alto no Brasil e a inflação está aumentando gradualmente. Também advertiu para a necessidade de reformas no país, como a previdenciária.

O Fundo também piorou as previsões para as contas públicas brasileiras para o país nos próximos cinco anos e a dívida vai encostar em 100% do PIB (Produto Interno Bruto), se tornando a 16ª maior do mundo. O cenário marca uma mudança de visão do organismo, já que em em abril (em sua revisão semestral) ele havia projetado um cenário um pouco menos pior do que imaginara em outubro do ano passado. Agora, com as novas estimativas, o Fundo projeta uma piora mais acentuada das contas públicas do que imaginava até mesmo um ano atrás.

O resultado é que a dívida pública bruta vai chegar a 98,3% do PIB em 2023, ante previsão de 96,3% no semestre passado. Os números do FMI mostram que, na comparação com abril deste ano, o deficit primário para este ano e 2021 será maior que o esperado e os superávits em 2022 e 2023 serão mais enxutos do que se previa -- as previsões de déficit para 2019 e 2020 ficaram inalteradas.

O resultado é que, se em 2014 (antes de a deterioração das contas públicas se acelerar) o país tinha a 59ª maior dívida bruta do mundo (em porcentagem do PIB), em 2023 terá a 16ª maior, atrás de países como Japão, Venezuela, Portugal, Grécia e Espanha. No ano passado, ela era a 31ª maior. Os números usados pelo FMI não são os mesmos usados pelo Banco Central. Parte da diferença se deve ao fato de o Fundo incluir no cálculo da dívida títulos do Tesouro que são negociados pelo Banco Central para regular a quantidade de dinheiro na economia.

Compartilhe