ECONOMIA / 11.10.18

FMI piora projeções fiscais para Brasil e vê dívida perto de 100% do PIB em 2023

VALOR ECONÔMICO

O Fundo Monetário Internacional (FMI) piorou as previsões para as contas públicas brasileiras nos próximos cinco anos, passando a estimar que a dívida bruta encostará em 100% do PIB no fim desse período. Para 2023, o FMI prevê que o endividamento bruto ficará em 98,3% do PIB, acima da projeção anterior, de 95,6% do PIB. Já a partir do ano que vem o Brasil terá o maior nível de endividamento bruto de um grupo de 39 emergentes, excluindo a Venezuela.

Neste ano, a dívida bruta do país ficará em 88,4% do PIB, nas projeções do FMI, inferior apenas aos 92,5% do PIB do Egito. No ano que vem, o Fundo espera que a dívida brasileira alcance 90,5% do PIB, ao mesmo tempo em que prevê que o endividamento egípcio cairá para 87,1% do PIB. Pelas projeções do FMI, o indicador brasileiro não dá sinais de vai se estabilizar nesse prazo de cinco anos - a previsão mais distante do Fundo para os números fiscais é 2023. Até lá, o FMI vê a dívida brasileira em crescimento ininterrupto.

O indicador é um dos principais termômetros da solvência do setor público de um país. As novas estimativas do FMI mostram uma trajetória pior para a dívida bruta do que a que aparecia no relatório anual que a instituição fez sobre a economia brasileira, divulgado em agosto. No documento, o número projetado para 2018 era de 95,6% do PIB.

O FMI calcula a dívida bruta brasileira por um critério diferente do usado pelo governo brasileiro. A instituição inclui na sua estimativa os títulos públicos que estão na carteira do Banco Central, o que o Brasil não faz. Pelo conceito do BC brasileiro, a dívida bruta em agosto ficou em 77,3% do PIB.

Por qualquer critério, porém, o endividamento bruto do país é bem maior do que o da média dos países emergentes, que deve ficar em 50,7% do PIB neste ano, nas projeções do FMI. As contas públicas se deterioram com força especialmente a partir de 2015. Se em 2014 o país tinha a 59ª maior dívida bruta do mundo como proporção do PIB, em 2023 terá a 16ª maior, atrás de países como Japão, Venezuela, Portugal, Grécia e Espanha. No ano passado, ela era a 31ª maior.

O Fundo passou a prever uma trajetória um pouco pior para o resultado primário das contas públicas (que não inclui gastos com juros). No Monitor Fiscal divulgado ontem, o FMI espera que o resultado seja zerado em 2022, com um superávit de 0,5% do PIB sendo obtido em 2023.

No relatório de agosto, a expectativa era de que um saldo positivo de 0,2% do PIB e 2022 e de 0,7% do PIB em 2023. Para este ano, o FMI aposta que o déficit primário ficará em 2,4% do PIB, um rombo que seria maior que o de 1,7% do PIB do ano passado. O FMI também piorou um pouco as projeções para o crescimento da economia, outro determinante da relação entre a dívida e o PIB. A projeção para 2018 foi reduzida de 1,8% para 1,4%, e a de 2019, de 2,5% para 2,4%. As de 2020 a 2023 foram mantidas na média de 2 2%