ECONOMIA / 20.12.17

Economistas projetam riscos fiscais relevantes para 2019

VALOR ECONÔMICO

O ano de 2018 será uma janela positiva para a economia brasileira, mas a partir do ano seguinte os riscos, sobretudo os de natureza fiscal, aumentam significativamente. Essa é visão geral apresentada por economistas do mercado financeiro que participaram ontem de seminário realizado pelo jornal "Correio Braziliense".

Para a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, 2018 será o ano de colher crescimento econômico de pelo menos 3%, com inflação baixa, refletindo as mudanças na política econômica e o que ela chamou de "agenda correta" do governo. "A história mostra que a economia brasileira reage quando se apertam os botões corretos, disse Zeina.

Para ela, cresceu muito a chance de o debate eleitoral do próximo ano ser mais maduro em termos econômicos e, por isso, é possível que haja baixa volatilidade no mercado. "Minha preocupação é 2019", disse Zeina, salientando a gravidade do problema fiscal, a necessidade de reforma da Previdência e questões como a viabilidade do teto de gastos e o cumprimento da regra de ouro fiscal. "O ano da verdade é 2019", disse, comparando com 2015, quando após as eleições o governo Dilma teve que fazer um forte ajuste.

O economista-chefe do banco UBS Brasil, Toni Volpon, projetou expansão de 3,1% para o PIB do ano que vem, impulsionado pela maior confiança com a mudança da política econômica, cenário externo benigno e juro baixo. Segundo ele, a recessão e a alta no desemprego resolveram o problema estrutural da inflação de serviços. "O dragão da inflação foi domado."

Segundo ele, 2018 deve marcar a melhor posição da economia brasileira desde 2010 -"ano mágico, mas que não era sustentável" -, mas salientou que o problema a ser resolvido é a situação fiscal. Segundo ele, a vantagem do ajuste gradual em curso é o menor custo social, mas a desvantagem é que não há sentido de emergência para uma condição fiscal grave.

Para Volpon, a situação externa positiva não vai durar, a janela que o país tem é pequena e, se não for aproveitada, o Brasil viverá situação semelhante à 2015, com situação externa hostil. A economista-chefe da Rosenberg Associados, Thais Zara, projeta alta de 2,5% do PIB para 2018, com inflação de 3,8%.

Segundo ela, se houver reforma da Previdência, o desempenho pode ser melhor. "2018 está mais ou menos encaminhado, mas a dúvida é se vamos entrar em ciclo virtuoso", afirmou. Segundo Thais, a agenda de melhora na produtividade já está sendo realizada, com medidas como a TLP, mas salientou que é preciso pensar em outras agendas de longo prazo, como maior abertura comercial e reforma tributária.

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