ECONOMIA / 06.02.18

'Crash relâmpago' assusta investidor

VALOR ECONÔMICO

Uma forte correção nos preços das ações, motivada pela expectativa de que o Federal Reserve (Fed) aumente a taxa de juros além do planejado para conter o crescimento da economia americana, provocou ontem uma onda de nervosismo nos mercados. O movimento de venda de ações fez a bolsa de Nova York cair 4,6%, registrando perda de 1.175 pontos, a maior da história em um único dia. Já o índice S&P 500 recuou 4,10%.

A Nasdaq, a bolsa das empresas de tecnologia, caiu 3,78%. Os índices Dow Jones e S&P 500 anularam os ganhos do ano, operando agora em território negativo - respectivamente, quedas de 1,51% e 0,92%. Neste início de fevereiro, as empresas listadas no S&P 500 já perderam quase US$ 1 trilhão em valor de mercado.

"A velocidade disso [de venda de papéis] é como um 'crash' relâmpago no fim do pregão", disse ao "Financial Times" o estrategista Jim Paulsen, da Leuthold Investment Management. A dúvida dos analistas é como os mercados reagirão hoje. O Brasil não ficou imune. A bolsa de São Paulo, caiu 2,59%, aos 81.861 pontos, a maior queda ocorrida num único dia desde 17 de maio de 2017, quando foi divulgada a delação dos donos da JBS.

A queda ocorrida ontem acelerou nos últimos 15 minutos do pregão, quando a bolsa perdeu 664 pontos. A forte venda de ações, que em volume atingiu principalmente os papéis de Petrobras, Vale, Bradesco e Itaú, anulou todo o ganho acumulado desde 24 de janeiro, quando o ex-presidente Lula foi condenado em segunda instância na Justiça. No ano, porém, a bolsa ainda acumula ganho de 7,15%.

Em dólar, o Ibovespa caiu ontem 3,48%, um dos piores desempenhos entre as bolsas emergentes. Outro reflexo no mercado brasileiro se deu na taxa de câmbio. O dólar teve valorização de 0,99% em relação ao real, sendo cotado a R$ 3,2467. Desde 25 de janeiro, quando caiu ao menor valor em quatro meses, o dólar já subiu 3,68%. Isso levou o Banco Central a anunciar para hoje leilão de contratos de swap cambial, o que equivale a vender dólar futuro. É uma forma de dar liquidez ao mercado, o que ajuda a conter a desvalorização do real.

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