ECONOMIA / 06.04.18

Brasil tem pouco compromisso fiscal, diz Fitch

VALOR ECONÔMICO

A mudança de perspectiva para o rating soberano do Brasil de negativa para estável em fevereiro deste ano pela Fitch foi um fato muito positivo, afirmou o CEO do grupo no Brasil, Rafael Guedes, durante o fórum da classificadora de risco de crédito, em São Paulo. De acordo com o executivo, "é a primeira vez em três anos que a perspectiva do país não está negativa".

Na ocasião, a agência rebaixou a nota soberana brasileira de "BB" para "BB-". A reavaliação da perspectiva acompanhou uma tendência da América Latina como um todo. Segundo Guedes, a Fitch registra neste ano apenas dois países em perspectiva negativa na região, contra sete em 2017. "Os ratings da América Latina, no geral, não caíram tanto como de outros emergentes ao longo do tempo."

De acordo com o CEO da Fitch no Brasil, as finanças públicas continuam como calcanhar de Aquiles da região. "O único país com desempenho melhor nesse quesito na América Latina foi a Jamaica, que está conseguindo redução do endividamento." O Brasil continua a exibir déficits nominais muito grandes e tem dificuldade em reduzir o endividamento público, afirmou o executivo, ao apontar os maiores desafios do país para melhorar a nota soberana. O déficit do governo é "um dos mais elevados da América Latina", aponta Guedes.

O CEO da Fitch acrescentou ainda existir "uma resistência em enfrentar as reformas necessárias". Guedes citou a questão da "regra de ouro" que, na avaliação da agência, "não será cumprida em 2018". A norma proíbe as operações de crédito do governo de superar as despesas de capital.

Conforme Guedes, "em lugar de se comprometer com as regras fiscais auto-impostas, a preocupação hoje no país é passar uma legislação para deixar de cumprir a 'regra de ouro'". Por outro lado, segundo o executivo, houve recentemente um maior controle inflacionário e um rápido ajuste das contas externas.

Guedes também cita a economia diversificada e as reservas internacionais muito fortes, "que são um amortecedor para o país em caso de choques". De acordo com Guedes, o Brasil ainda é um dos poucos credores externos líquidos na categoria "BB" e tem um mercado de dívida doméstica muito forte, "que permite ao governo se refinanciar apesar do alto endividamento".

No cenário macroeconômico, o executivo cita a recuperação cíclica da economia, além do comportamento benigno da inflação e os juros baixos como fatores para manter a perspectiva estável da nota soberana. Guedes aponta a reforma da Previdência como "crucial para as contas públicas".

Conforme o executivo, "como agência de rating vamos esperar as eleições para formar uma opinião" sobre as perspectivas fiscais e econômicas do país. "O caminho do Brasil para voltar ao grau de investimento será longo, mas pode ser ajudado por um ambiente político mais estável, a realização de reformas significativas e uma consolidação fiscal", considerou.

 

Compartilhe

Últimas Notícias