ECONOMIA / 27.02.18

Brasil precisa continuar no caminho de ajustes, sustenta Ilan

VALOR ECONÔMICO

Mesmo após o governo ter desistido de votar as mudanças na Previdência, o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, disse nesta segunda-feira que o Brasil precisa “continuar no caminho de ajustes e reformas para manter a inflação baixa, a queda da taxa de juros estruturais e a recuperação sustentável da economia”.

A declaração foi dada em evento promovido pela Câmara Espanhola de Comércio, em São Paulo. Ilan citou uma série de mudanças promovidas pelo BC que são avanços estruturais e ajudam na melhora do ambiente econômico, como a criação do registro eletrônico de garantias, que “faz o custo de crédito cair de forma relevante”.

Ele também mencionou o recente acordo para ressarcir os popupadores pelos planos econômicos dos anos 1980 e 1990, que resolve uma questão de décadas e reduz incertezas. Ele afirmou que o Brasil passa atualmente por três fenômenos macroeconômicos, com redução da inflação, queda de juros e recuperação da economia.

O presidente do BC apontou que a inflação só começou a cair de fato em meados de 2016 - mesmo com a recessão iniciada em 2015 - graças em boa parte à mudança nas políticas econômicas. “A surpresafra gerou uma inflação bem baixa, abaixo de 3%”, comentou Ilan, afirmando que, agora, o cenário base é trajetória de inflação de volta às metas.

Assim como nos comunicados oficiais do BC, Ilan afirmou que existem riscos em ambas as direções para a inflação. Por um lado, possíveis efeitos secundários de choques favoráveis e mecanismos inerciais podem produzir trajetória prospectiva inflação abaixo do esperado. Por outro, uma frustação das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes e a reversão do corrente cenário externo pode elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária.

Cenário externo

O cenário internacional segue benigno, mas não se pode contar com essa situação perpetuamente, afirmou Ilan. Ele comentou que não se fala mais em um “hard landing” (desaceleração acentuada) da China, mas disse que o ritmo em que a economia mundial está crescendo atualmente leva a aumento de juros. “O nível de juros hoje no mundo é de economias estagnadas. Temos de avaliar como a normalização de juros no mundo vai afetar o Brasil”, comentou.

O presidente do BC apontou que, depois de dez anos da crise, todos os países do mundo voltaram a crescer. Segundo ele, há uma recuperação cíclica no mundo, mas isso não significa que não há risco no mercado internacional. “Há perigo dos juros nos EUA subirem mais rapido do que se espera” Em relação ao Brasil, Ilan disse que a previsão é de crescimento de 2,8% neste ano. “Espero que a economia passa a crescer entre 2,5% e 3% daqui em diante.”