ECONOMIA / 05.12.17

BNDES vê retomada 'dispersa' e diz ser injusto creditar só o consumo

VALOR ECONÔMICO

 presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, avalia que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, divulgado na sextafeira, mostra retomada “dispersa” da economia brasileira.

Em breve conversa com jornalistas antes de sua palestra em seminário da Câmara Americana de Comérico (Amcham) em São Paulo, ele reconheceu que é “injusto” dar crédito apenas ao consumo como principal vetor da retomada do crescimento econômico. Segundo Rabello de Castro, os investimentos, embora em patamar bastante baixo devido à recente recessão, terão destaque em 2018 pelos canais da infraestrutura e da indústria.

“O BNDES vai botar o bloco na rua, investimento vai crescer em infraestrutura e indústria com nossa ajuda”, disse o presidente do banco de fomento, citando os setores agropecuário e automotivo como os mais bem posicionados para contribuir com a formação bruta de capital fixo.

Ele repetiu apresentação que tem feito recentemente em eventos com empresários Brasil afora. Ao mesmo tempo em que defendeu as atuais reformas implementadas e em discussão, elogiou a política macroeconômica do governo. “O trabalho feito pela equipe econômica do presidente [Michel] Temer é irretocável, mas o esforço ainda não é suficiente para recompor 15 trimestres de queda do investimento.”

Nesse ponto, Rabello de Castro voltou a questionar a devolução de recursos subsidiados emprestados pelo Tesouro a partir da crise de 2008. “Mas o BNDES está ciente de sua nova posição na economia e de sua missão, e persistirá [no estímulo a investimentos]. Temos rating diferente da União e vamos buscar funding no mercado para cumprir uma agenda de crescimento pensando longe, em 2030", afirmou.

O presidente do BNDES informou também que o banco trabalha com o Ministério Público para tentar dar mais celeridade às definições legais que autorizem a instituição financeira federal a liberar crédito a empresas investigadas ou envolvidas em processos judiciais, caso da JBS que negocia há meses acordo de leniência com a Justiça.

 

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