ECONOMIA / 08.02.18

BC precisa de surpresas positivas para baixar mais a taxa básica em março

VALOR ECONÔMICO

O Banco Central praticamente deu por encerrado o ciclo de baixa na taxa básica de juros, depois de levar a Selic para o menor nível da história. Só haverá novo corte moderado em março se houver surpresas positivas até lá. No comunicado divulgado depois da reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC diz que, se tudo evoluir como o esperado, a taxa básica seguirá nos 6,75% ao ano fixados ontem.

Mas o BC poderá cortar moderadamente os juros - uma baixa de 0,25 ponto percentual - caso o cenário inflacionário se torne mais favorável ou se o balanço de riscos se desloque mais para o lado positivo. Desde fins do ano passado o BC vem acompanhando a evolução dos núcleos de inflação para confirmar se eles levam o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para a meta, de 4,5%, em 2018 e aos objetivos dos anos seguintes. Até dezembro, o BC tinha dúvidas se isso iria mesmo ocorrer.

Alguns dos núcleos de inflação estavam baixos, ou seja, mais próximos do piso da meta deste ano (3%). Outros núcleos, porém, eram descritos pelo BC como "confortáveis", o que significa que eram compatíveis com a convergência da inflação para o centro da meta. O BC estava preocupado com o risco de, nas estatísticas divulgadas depois de dezembro, os núcleos de inflação se mostrarem muito baixos e, dessa forma, o piso da meta de inflação ser novamente furado. Isso demandaria corte mais profundo de juros.

O comunicado divulgado ontem informa que, na avaliação do Copom, a inflação evoluiu conforme esperado no seu cenário básico desde dezembro. Os núcleos de inflação, define o BC, seguem oscilando entre baixos e confortáveis. De forma geral, a autoridade monetária mostra-se confiante de que a inflação caminha para o centro da meta. Se os núcleos continuarem com esse comportamento até a reunião de março, provavelmente o Banco Central não cortará a taxa básica de juros.

Mas, se baixarem mais, o BC poderá avaliar um corte para 6,5% ao ano. Uma eventual alteração no balanço de riscos também poderia fazer o BC cortar mais os juros. Do lado positivo, o Copom cita chances de os preços de alimentos seguirem favoráveis e as chances de uma inércia positiva mais forte levar a uma inflação mais baixa que a encomenda. Do lado negativo, o Copom vem citando o risco de cair a ficha no mercado financeiro de a reforma da Previdência não ser aprovada e também as chances de uma piora nas condições de liquidez para os emergentes nos mercados internacionais. O quadro seria particularmente negativo, vem alertando o BC, se esses dois eventos ocorrerem juntos.

Desde dezembro, as chances de aprovação da reforma da Previdência diminuíram muito. Do lado externo, o BC nota, no comunicado, que, por enquanto, o apetite de risco para emergentes tem se mantido, apesar de maior volatilidade nas condições financeiras nas economias avançadas.

Do balanço de riscos, o que se pode concluir é que, do lado positivo, não houve progressos, enquanto que os riscos do lado negativo se tornaram um pouco mais pronunciados. Mas o BC diz, no comunicado, que vai continuar a avaliar o balanço de riscos para decidir se corta mais os juros ou não.

 

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